
Quando passares por mim
e não sentires o cheiro da terra
saberás que morri e será esse
cheiro que prolifera
tal como o navio navega
sobre águas revoltas
o meu corpo jamais
se acalmará, mesmo
que a razão não se veja
mesmo que o rasgar da pele
já não sinta
mesmo que espezinhada
pelo mundo
a garganta ávida nunca
se calará
e gritos de dor e amor
lançará
com sede, desejo
com raiva e lucidez
oscilando por entre
caminhos tenebrosos
desvendando lúbricos desejos
continuo a minha luta
enroscando-me numa pele
já velha sedenta e bruta
dentro de um vestido
há muito rasgado
mas que teimo em vestir
by me Ana
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