PARTE DE MIM....

PARTE DE MIM....
(Reprodução proibida sem autorização do autor. Todos os direitos reservados.)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012




Sou o que hoje me lembro de mim
a maneira como sorrio
o jeito do olhar
o cheiro da pele que a lembrança
um dia há-de levar,

não sei se amanhã me lembrarei de mim
não sei como a memória irá ficar
se reconhecerei as caras
ou se ela se irá esvaziar,

por isso escrevo
junto as letras, escrevo palavras
escrevo principalmente
sobre o verbo AMAR,

para que mais tarde
se a memória não existir
todos os meus amigos
nas minhas palavras irão ficar!

By me ANA BÁRBARA
2012/12/11
(imagem retirada da net)


Aqui, só,
neste lugar de ninguém
onde amanheço,
choro a cruz
com que me deito,

a face húmida, sem brilho
deixa transparecer
a dor deste viver,

a lua faz-me sonhar,
enquanto os olhos se esgueiram
nos pontos cintilantes
fazendo a memória girar
como se não se quisesse esquecer
de todos os lugares onde um dia te amei,

o sonho reparte-se entre alegrias vividas,
realidades sofridas,
e uma sentença que me consome e afunda,

às vezes sinto o lábio tremer,
os olhos rasos de água
quase se afundam neste entristecer,
passeios delicadamente
enquanto o corpo se ajeita
para de novo voltar a adormecer....
by me ANA BÁRBARA
2012/12/11
(Imagem retirada da net)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012




E agora?
o tempo passou
e foi deixando suas marcas,
feridas
que cicatrizam ao sabor do mar salgado,
tem dias
que desespero por um sorriso
outros
que me enrolo no meu casulo
ignorando quem passa,
nada mais volta ao que era, nada, nem ninguém,
envelheci,
deixei de acreditar nas palavras,
as acções parecem larvas,
as mãos vão enrugando,
a pele vai murchando,
a seiva que corre nas veias
também vai secando,
protesto sem razão,
quando a luz se apaga
respiro fundo,
mofo no silêncio profundo,
só,
no escuro,
esquartejo uma magoa
que se crava na pele,
já quase que não a sinto,
é como gritos mudos,
e agora?
Para onde fujo!
não tenho como me esconder
da própria sombra
que me engole a cada passo...
by me ANA BÁRBARA
202/12/03
(imagem da net)

domingo, 2 de dezembro de 2012



Tinha um sonho
mas morreu devagarinho
aos poucos vou enterrando
as histórias, os sonhos, as memórias

baixinho vou balbuciando o teu nome
talvez seja um engano
as letras não estejam corretas
volto atrás, no tempo,
e volto a tentar mais uma vez,

mas...

tu....não me escutas
nem tão pouco me vês!

Choro!
Grito!
Bato na vidraça que nos separa
mas ...tu...
não me respondes
sorris voltando a cara,

tinha um sonho...

tão simples e delicado,

apenas queria
que me tivesses escutado!

by ME ANA BÁRBARA
2012/12/02



Guardei-me para ti
coloquei óleos, incensos,
incendiei o peito
fiz crescer este amor
com todo o preceito,

guardei os recados de alma,
debrucei-me sobre o leito
desnudando-me sem receio,
abri as portas deixando entrar
o prazer diluído nas essências
de um corpo transpirando desejo,

esperei-te
na sofreguidão de ser tua,
e...
...nua, deitei-me no imaginado regaço,

Fizeste-me sonhar,

acreditar ,

que um dia serias meu,
mas tal como o mar,
no seu ir e voltar
nas ondas do meu sonho
deixaste-me naufragar!
By me ANA BÁRBARA
2012/12/02
(imagem retirada da net)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012



Hoje acordei
com todo o tempo do mundo,
espreguicei a vontade,
olhei para trás,
e...
...pensei nas coisas boas
que a vida me deu,
nas menos boas,
pensei com carinho,
enchendo o peito com todo o cuidado,
pensei nos pormenores,
nos alinhavos que a vida tem,
recordei as feridas,
como as cerzi,
a fraqueza de ser gente,
dos medos que também senti,
das alegrias,
das tristezas,
lembrei-me dos tempos de rebeldia
em que existiam tantas certezas,
lembrei-me das gargalhadas,
das lágrimas sem sentido,
recordei aquele vestido,
o primeiro beijo,

hoje acordei sem me lembrar se vivi
ou se apenas sonhei,
é porque o tempo voou,
aqui neste lugar que não é meu
continuo o sonho,
lembrando o passado,
sem presente
e com medo do futuro,

enquanto escrevo, levanto os olhos
e, sinto a face molhar-se,
não de emoção,
mas com medo do futuro
que faz um aperto
no meu coração,
sinto frio, nostalgia,
sinto a vida correr por entre os dedos,
um vazio que me incomoda,

deixo-me embalar nos pingos metálicos
da chuva,
e aos poucos vou perdendo o medo
a alma fica branda
o sorriso aquece os lábios
e o sonho continua...
BY ME ANA BÁRBARA
2012/11/30

quinta-feira, 22 de novembro de 2012



Vou contar-te um segredo
vou fazê-lo com vontade,
sem medo,
deixando de lado a vaidade
acima de tudo, apenas quero contar-te
esta pequena verdade,

num toque de magia
sem resistência,
com tempo,
sem ter que lembrar a distância
a estrada que nos separa,

estás sempre no meu pensamento,
quando olho as estrelas
meus olhos ganham brilho,
os meus lábios ficam húmidos,
o coração bate aceleradamente,
a pele...ai a pele arrepia,
deixando-me num fogo
até ser dia,

quero que sintas,
quero que me deixes entrar
dentro do teu peito,
quero nele repousar,
que sintas a minha paixão,
este desejo terno e doce
que tenho de te amar,

às vezes tudo se sobrepõe
as lágrimas caem,
a saudade vem,
a tristeza parece não ter fim,
o caminho não se consegue trilhar,
as pernas vergam,
as expectativas parecem não existir,
a dúvida volta,
tudo fica num turbilhão
de sentimentos,
tornando-se dificil de suportar,
às vezes esqueço-me de mim
ficando um deserto
por atravessar,

mas hoje...hoje...
quero que sintas,
quero que feches os olhos
e te deixes levar,
deixando que este amor
docemente te possa beijar...
by me ANA BÁRBARA 2012/11/22
(imagem da net)

domingo, 18 de novembro de 2012



Sempre que penso em ti
tudo pára,
tudo se transforma,
o olhar ganha forma,
a luz do dia tem outro brilho,
o sol outra luz,
o cheiro da terra
ganha sabor,
e até a dor
deixa de ter qualquer valor,

sempre que penso em ti
tudo floresce,
os dias deixam de ser cinzentos,
esqueço as horas,
e, num embalar inocente
rodopio cada segundo,
numa fragrância única
esquecendo o tempo...
que, num cingir de cinturas
se une quando o pensamento
te traz para dentro de mim,

nada importa,
se é felicidade ou paixão,
se é sonho ou ilusão,
são momentos...
de doçura, de amor, de ternura
que vivem dentro do meu coração!
By me ANA BÁRBARA
2012/11/18
(imagem retirada da net)



sábado, 17 de novembro de 2012



Calo no meu peito
a dor que me envolve,
a chama que se apaga,
o beijo que não foi dado,
calo no meu peito
uma espécie de fado,

calo a solidão,

calo a vida,

calo esta dor sofrida,


uma dor que …não se vê
que …não se ouve
mas que destrói
todo o sorriso,

calo a paixão
que lentamente morre,

calo o desespero
que tantas vezes é insensato,

calo os conselhos
que o coração vai dando,
os apertos,
a saudade,

calo a vergonha
que como os rugidos do vento
ecoam dentro de mim,

e..lentamente,
quase sem se dar por isso,
numa incisão precisa
a loucura vai tomando
conta de mim,

lentamente tudo morre,
as lágrimas vão secando
tal como os sonhos
aos poucos,
também eles vão terminando...
e tudo o peito vai calando...
by me ANA BÁRBARA
2012/11/17
(imagem retirada da net)

sábado, 10 de novembro de 2012



Os meus olhos 

embaciam-se quando me lembro de ti

 molhando-me o rosto, 

não de tristeza, 
mas por um dia te ter conhecido
 e 
os teus braços me terem abraçado
 e eu de mansinho o teu rosto ter beijado___Ana Bárbara
2012/11/10
(imagem retirada da net)

Transparente

coloca os teus olhos em mim,
deixa os meus passearem em ti
descobrindo os nossos jardins,
na transparência dos dias
vamos abandonar-nos
nos nossos sonhos,
até poderão ser diferentes,
não faz mal,
somos dois afinal,
dois seres,
duas metades,
duas realidades,
eu e tu...
o sol, o mar, a terra,
caminhos por desvendar,
pele na pele,
vamos apenas tentar
que a felicidade entre pelas nossas janelas
o sol inunde os nossos corações,
e, juntos
possamos olhar o mundo
mesmo que ele nos ofereça
algumas desilusões..
by me ANA BÁRBARA
2012/11/10
(imagem retirada da net)


domingo, 4 de novembro de 2012



Respiro o ar que perfuma o meu jardim,

respiro incenso ou talvez seja jasmim,
um cheiro que me embriaga,
que me desnuda a vontade
impedindo de correr para que mate
aquela saudade....

nos lençóis ainda quentes,
o corpo estremece de vontade
na lembrança dos beijos
que trocámos de verdade...

o peito entesa na fantasia,
as veias pulsam,
as pernas tremem
na lembrança,
nas trocas de emoções
pedaços que partilhámos
sem medos ou ilusões,

e nessa entrega única
beijámo-nos em cada anoitecer
com a esperança de que também
iríamos vencer...

nossos corpos foram rios,
margens de prazer,
foram pequenas magias,
navios nunca navegados,
foram aconchegos de alma
momentos que também embriagam,
tempos, que mesmo o tempo
não poderá apagar,

foste tu...fui eu...
intensidades de puro prazer!
Lembranças que bailam nas pupilas
e nos fazem viver!
By ME ANA BÁRBARA
2012/11/04
(imagem retirada da net)
(dedicado a todos que já viveram um amor)

sábado, 3 de novembro de 2012



O dia acordou
entre um amarelo desbotado
e um cinzento aborrecido,
ora, chora,
ora sorri,
tal como eu me sinto,
triste, cinzenta, sem vontade,
e, quando por momentos
tento sorrir, logo as janelas se molham
deixando-me sem jeito,
num borbulhar de emoções,

hoje, queria abandonar-me
navegando num barco à deriva,
queria subir aquela montanha
que tantas vezes chama por mim,
mas a melancolia da vida
embrulha-me do avesso
enrugando a vontade no seu passar,

quedo-me, nesta parceria,
e assim deixo o dia avançar...
sem luta, sem vontade,
tal como o seu acordar,

quase sem dar por isso
o meu casulo se vai fechando
sem forma,
a borboleta nunca chegará
a nascer,
morrerá sem o casulo
vencer....

cansei,
cansei de lutar,
cansei de dizer a palavra
amor,
cansei-me de mim,
do meu olhar,
cansei das dores paridas
que tantas vezes fazem feridas,
cansei dos olhares alheios
mortiços, daqueles que se julgam
justos,
cansei-me de entortar a vida
do circo sem luzes,
da nudez com que se enxerga
cada um,
do maldizer, das línguas afiadas
cansei....
de querer viver
aquele conto de fadas...
cansei de tanto correr
sem nunca te encontrar....
cansei....
BY ME ANA BÁRBARA
2012/11/03
(imagem retirada da net)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012



Algures entre mim e o meu eu,
existe um recanto onde choro
as palavras que procuro num corpo,
que aos poucos adormece
na mansidão das noites,
na loucura dos dias,
na mentira que se espelha
nas caras alheias,

vamos falar de amor,
vamos falar da recatada vida
que se encontra talvez adormecida,

falar de tão condenados estamos,
da maldade que nos consome,
da decadência dos dias,
do empilhar dos olhares
que a toda a hora nos cobram,
nos condena ,
das lamurias,
dos bairros, do lixo,
que tanto nos incomoda
e sem quase darmos por isso
se derrete nos nossos dedos como lava,

ou então falemos do hoje,
do agora, do tempo que deitamos fora
a toda a hora,

não sei! Já não sei mais quem sou,
algures em mim existe uma revolta,
 sempre voltam as palavras sem sentido,
aquele toque que me faz perder o juízo,
o sol que me acorda num espaço rendilhado
desfazendo a ferocidade que se envolve
num frágil algodão doce...

algures dentro de mim,
há uma saudade que dança
num rodopio sem compasso,
enquanto o corpo se desnuda
em esperanças quase vãs
na rotineira musicalidade...

by me ANA BÁRBARA
2012/11/01
(imagem retirada da net)



terça-feira, 30 de outubro de 2012



É curioso,
não sei se estou só de mim
ou se estarei tão só
que me perdi dentro do estar,

sim...tem dias que falo só,
tem outros dias
que...falo..falo..
mas ninguém ouve,
torna-se chato falar assim,
fico longe,
mesmo quando sorrio
tentando perceber
porque as gentes são assim,

sinto-me confusa
neste mundo a que pertenço,
uma inquietude que me cansa,
que permanece em mim
devorando-me a razão,
às vezes visto-me de colcheias,
sonho com as luas cheias
para não morrer no vazio das noites...

mas tudo fica para lá de mim,
as ruas esvaziam-se,
as gentes ficam frias,
é como se o meu coração
deixasse de bater
num cerzir de ilusão,

é curioso,
aquilo que a gente sente,
é um cansaço
de não me sentir
nem cá, nem lá,
é um entortar de visão,
é um querer e não querer
é todos os dias arranjar
uma desculpa para viver,

sinto falta de mim,
sinto falta de me encostar
naquela sombra,
de rebolar na terra molhada,
sinto falta do cheiro do mar
sinto falta de enfileirar as palavras
soletrando cada ditongo
numa premissa sem fim,
sinto falta....que a vida tome
conta de mim...
by me ANA BÁRBARA
2012/10/30
(imagem retirada da net)

domingo, 28 de outubro de 2012




Penso em ti
nas manhãs de domingo,
quando me deito,
quando aperta o frio
e o meu corpo não se estreita
no teu,

penso em ti,
na escuridão das quatro paredes,
quando o meu sorriso não saí,
quando a face se molha
humedecendo os lábios
que outrora eram beijados,

penso em ti....penso em mim...
gosto de retroceder a memória,
não com saudosismo
mas porque me fazes falta,
nos dias, nas noites, nas conversas
até ao alvorecer...

e neste passar de tempo
peço à solidão que me ampare,
com ela comungo os meus sonhos
abrindo-lhe as janelas de par em par,

talvez um dia...quem sabe
voltes a sorrir para mim,
talvez um dia volte a ouvir
o teu gargalhar.....
talvez quem sabe …
no teu colo me possa voltar a enroscar!
By me ANA BÁRBARA
2012/10/28
(imagem retirada da net)

sábado, 27 de outubro de 2012




O que os meus olhos sentem
ou o que o meu coração vê
do espaço da minha janela,
são fitas que correm,
amores que passam,
sonhos que morrem
dentro da mesma vidraça,

o sorriso apaga-se,
a tez torna-se pálida
deixando-se de sentir,
já não existe espaço
para o coração bater
com a mesma emoção,
sobrevive neste correr
dentro da sua ilusão,

trago guardado no mesmo espaço,
os rostos, as fantasias, as alegrias,
as tristezas, a morte e a vida
tudo gira como um carrossel,
de dia sonho o arco íris,
de noite as incertezas
torturam-me num paladar agridoce,

desrespeito-me
negando as amarguras
que me violam o olhar
num suplicar incessante,
nada faz sentido,
neste mundo tresloucado
onde me sinto perdida
numa maldição de alma,

abro as vidraças,
o vento solta-me o cabelo
ao mesmo tempo que me fustiga a face,
preciso sentir que estou viva,
preciso de me encontrar,
preciso acima de tudo
de não perder a vontade
de saber e poder AMAR.
BY me ANA BÁRBARA
2012/10/27
(imagem retirada da net)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012




Mata-me esta saudade que tenho de ti
mata-me o desejo que borbulha na pele
toma-me em teus braços
beija-me como se fosse mel,

nas noites húmidas e frias
deita-te no meu regaço
despindo-me o sexo
e antes que o corpo adormeça
deixa-me cobrir-te de prazer,

enamora as fraquezas
e invade com ousadia
o meu ninho até ser dia....

by me ANA BÁRBARA
2012/10/25
(imagem retirada da net)



REFÚGIOS


Deixa-me acariciar-te a alma
não fujas,
não deixes espaços entre nós,
deixa-me tocar o teu corpo
saboreando cada poro,
e, quando nos despirmos
esculpiremos toda a nossa vontade,

deixa acontecer...deixa tornar-se realidade!

A tua dor será a minha,
e juntos encontraremos o brilho
das estrelas, a lua,
e a saudade deixará de ser tão nua,
serão momentos nossos,
sensações de prazer,
pele na pele,
deixa-me beijar-te de mansinho
formando novelos de carinho,

quando a ausência se fizer sentir,
deixa-me sequestrar o teu coração,
meu mundo se tornará teu,
e o teu viverá por momentos
dentro do meu,
quando o desejo apertar
deixa a imaginação te acariciar,
e...
sem pressa, sem regras,
na quietude de nossos lábios
vamos deixar simplesmente
o amor entrar...
by me ANA BÁRBARA
2012/10/25
(imagem da net)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012



Espaços

anotei na memória
tudo o que foste para mim,
tudo aquilo que eu sonhei,
a cor dos cabelos,
os dias que sorrimos,
aqueles que bem juntinhos
também chorámos,

anotei o primeiro beijo,
aquele dia em que percorreste
o meu corpo
em leito de caruma,
tendo por companhia
o doce correr da água límpida,

anotei o ruborizar das faces,
a doce sensação de viver
com a esperança de tudo vencer,

os desvarios, os sonhos
que em forma de prece
deslizavam como um rosário,

anotei as juras,
as distâncias,
anotei cada abraço
como se fosse o último,
sem explicações,
bebemos cada momento,
fomos pecado, fogo,
fomos ternura,
esconderijos de carícias,

e hoje neste meu envelhecer
sem dramas, ou ressentimentos
reparto cada momento
num elixir de vivências...
<3 p="p">
By me ANA BÁRBARA
2012/10/24

(foto de Igor Amelkovich retirada da net)

domingo, 21 de outubro de 2012



Pensamento refeito

neste mundo obsoleto em que vivo
a espontaneidade transforma-se
em verdade,
vestindo-se de utopias
num mundo de mentes vazias,

audazes
confrontam-se entre quatro paredes de solidão
onde não se prevê o malogrado perdão,
sem forma, cristaliza-se,
move-se num hábito de ritual...

tudo se faz
com ou sem mal...

invade-me uma onda de tristeza...

deambulo entre o bem e o mal,
sem veemência entrego o meu
corpo num ritual frenético
sem vivência...
apenas troco o que é formal
por inconFIDÊNcias de um mundo
anormal,
uns tantos teimam
em fazer dele um mundo melhor
e normal....
sabendo que nada sei,
apenas serei marioneta de outros tantos
iluminados,
nesta estrada de intelectuais
que se apelidam de seres muito normais....

traiçoeira esta verdade que morre antes
da puberdade...quando chega a adulto
mais parece um vulto, saltitando
sem eira nem beira neste mundo
atrevidamente...E TÃO SÓ... prostituto...

by me Ana Bárbara
2012/10/21
(imagem retirada da net)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012



Rebolo o olhar
por ali,
por aqui,
acolá,
enquanto o pensamento
te imagina,
vou deixando o corpo
escorregar,
às vezes assomo-o
no velho espelho,
fugindo de o olhar,

talvez te procure,
neste faz de conta,

não sei!

Já tentei perguntar-te,
mas, não te encontrei,
só mesmo, eu, o espelho,
e as malditas horas,
companheiras fiéis
que nunca me abandonam,

às vezes assomo o olhar,
e, delicadamente afago-te
enquanto sacio esta minha vontade,
adentro-a em forma de esperança,
os meus dedos moldam o teu rosto,
numa espécie de valsa sem compasso
dispo-te,
deixando que a imaginação
invada cada recanto,
enquanto a respiração ofegante
nos enamora....
by me ANA BÁRBARA
2012/10/19
(imagem retirada da Net)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012



CONTRASTES 

Contrasta a emoção que sinto
com a razão,
a emoção faz com que as minhas pequenas janelas
transbordem,
a razão elabora-me o olhar,
deixando-as ressequidas,
são duas almas,
dois sentires,
é um querer, uma ânsia,
é um talvez
que transborda de inocência,
sou várias vidas,
numa vida incompleta
sou aquela que apontam o dedo,
sou a outra que se esconde
com medo
sou eu,
sou ela,
sou parte de mim
quando se expõe sem falsidades,
sou metades,
na realidade
nem sei quem sou,
procuro-me no reflexo do dia,
num perpetuar de imagens
quase em oração,
não quero que morram,
não quero esquece-las,
mas também não quero
sentir o seu chicotear,
mas...
gosto quando os seus contornos
me envolvem,
é como se adivinhassem
os meus pensamentos,
num saborear eterno
de...
contrastes ,cores, sabores,
recantos que se espartilham
no meu sentir,
num desembarcar de emoções,
são muitas as vezes que dói
o verbo amar,
mas mesmo assim
não desisto de mim
quando penso em nós...
By me ANA BÁRBARA
2012/10/18
(Imagem retirada da net)

sábado, 13 de outubro de 2012




Gosto de amar,
gosto que me amem,
mas não quero um amor
qualquer,

quero senti-lo escorrer
no meu corpo,
quero bebe-lo,
não quero que se entorne
nem por um instante,

quero que seja fresco
nas noites quentes,
quero que seja quente
nos dias frios,
quero que me refresque
os lábios
como a água fresca
da fonte,
que me penetre a alma
e floresça,

quero um amor
descomplicado
simples, sem fado,

quero poder segurar-lhe
o sorriso,
sentir os seus abraços,
quero abraça-lo
até que as horas se cansem
de nós,

e, quando as horas pararem,
quero poder olha-lo,
não como se fosse a última vez,
mas o princípio de uma plenitude
saboreando tudo aquilo
que por amor se fez!
By me Ana Bárbara
2012/10/13
(imagem retirada da net)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012



Pensei,
que fechando os olhos
te voltaria a encontrar,

pensei,
que talvez fosse eu
que não soubera esperar,

pensei,
que quando a noite chegasse
tu voltarias
e sem ironias,
pensei também
que voltaríamos
a nos beijar,

pensei...
na correria dos ponteiros,
e supliquei
para que os silêncios
deixassem de existir,
as esperas
se transformassem,
e na louca correria
dos dias
tu um dia voltarias,

pensei,
as ausências fazem dor
e a dor
transforma-nos,
já não tenho a mesma face,
os olhos deixaram de sorrir,
os lábios,
ficaram mais secos,
a pele enrugou,
...envelheci...

mas por dentro,
ah! por dentro
permite-me que te diga
estou viva, não morri!
By me Ana Bárbara
2012/10/12
(imagem retirada da net)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012



PEDAÇOS...

Atravessei a rua com passos largos,
sem olhar as gentes que por ali passavam,
queria fugir,
queria voar,
queria simplesmente não sentir,
queria despir a dor
que teimava queimar-me o peito,

andei...
percorri a calçada sem destino,
as veias pulsavam,
sentia o olhar morrer
tal como a vontade de viver
desaparecia,

sentei-me na pedra molhada,
nem dei conta que tinha chovido
nesta minha caminhada,
os comboios passavam
de um lado para o outro,
fixei-me nas vidraças
tentando ver os rostos
que se esborrachavam de encontro
ao vidro...
mas...
não conseguia,
apesar de ainda ser dia
o meu olhar estava sem vida,
amparei a face nas mãos
com cheiro a erva molhada
e levantei os olhos para o céu
como que num implorar de clemência,
o dia doeu,
a noite está a ficar húmida
e a vontade de ali ficar
transbordava-me o olhar,

levantei-me,
sem saber que rumo tomar,
por momentos desejei voltar à infância,
para sentir o cheiro da mãe,
aquele abraço quente
mesmo dito sem palavras
mas que tantas vezes
me aquecia o coração...

a face molhou-se
numa mistura salgada e doce...

desci a rua
enquanto o vento me chicoteava
a face....
a fragilidade tinha-se soltado
como suaves tiras de cetim esvoaçando,
o dia estava a terminar,
afinal,
tinha que limpar as tristezas
arregaçar o sorriso
e voltar à dura realidade,
juntar os pedaços
e …
continuar...
by me ANA BÁRBARA
2012/10/11
(imagem retirada da net)

sábado, 6 de outubro de 2012




Já te sonhei de tantas formas,

não passaram de sonhos,
histórias elaboradas
que, com o tempo envelheceram,
ficando apenas o lembrar
das nossas mãos entrelaçadas,

tudo adormeceu,
o olhar,
a dor,
o riso,
o entesar dos seios
que se curvavam nas tuas mãos,
o corpo nu,
o sexo húmido,
os inocentes ais...

aos poucos a memória
vai-se fechando,
adormece,
as desejadas carícias
deixam de ter importância,
as janelas fecham-se,
as luzes apagam-se,
o rosto seca,
o corpo envelhece
e...os sonhos verdadeiros
transformaram-se
em histórias, recantos de saudades
imprecisos...

viver tornou-se frágil,
um isolamento duro
não existindo quase lugar
para o sonho,
as palavras que dantes saíam em forma de flor,
ficaram toscas
murcharam...

já não sei se vivo,
ou se apenas sobrevivo
dentro de um irrealismo curvilíneo
que me consome...
by me ANA BÁRBARA
2012/10/06

sábado, 29 de setembro de 2012



Repouso o olhar sobre aquele recanto
tentando apagar da memória
pedaços disformes de uma vida
que o tempo teima em não levar,

esgueiro-me entre esta vontade
e um desejo profundo de não chorar
mas...
eles vão e vêm
como se me quisessem
castigar,

mastigo as letras
como se quisesse devorar
a memória,
para não lembrar
parte de uma história,

sinto-me cansada
da vida,
de mim,
das recordações
que me fazem
ficar assim...

dói...
a saudade
dói...
a ilusão
dói..
sofrer
em vão!

Às vezes tenho medo
do sossego,
do silêncio,
dos recantos
que me devoram
num desventrar de desejos,
confundo os mundos
os vazios
e abandono-me na ilusão
de cada recanto
como se o meu peito
fosse explodir
para deixar entrar
a brisa da noite...
nos meus recantos
por desvendar!
by me ANA BÁRBARA
2012/09/29
(imagem retirada da net)

sábado, 22 de setembro de 2012



Nunca é tarde
para dizer o quanto amamos alguém,
nunca é tarde
para sorrir,
para abraçar,
nunca é tarde
para tentar explicar
aquilo que nos vai cá dentro,
o que sentimos,
nunca é tarde
para aprendermos a ouvir,
a ver com olhos de ver,
nunca é tarde
para semearmos
criando laços de ternura,
nunca é tarde
para estender a mão
sem nada pedir em troca,
nunca é tarde
para transformar a dificuldade
em sopro de vida,
nunca é tarde
para perfumar a vida de alguém,
nunca é tarde
para viver cada momento
por mais efêmero que pareça,
nunca é tarde
para enxugar as lágrimas de alguém
mesmo que não conheça,
nunca é tarde
para juntar os cacos
levantar a cabeça e ser GENTE!
Nunca é tarde
Para enfrentar a vida bem de frente!
2012/09/22
by me Ana Bárbara
(imagem retirada da net)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012



Entardecer!

esqueci-me de mim
de tanto pensar em ti,
seguro a face por entre os dedos
num compartilhar de emoções,

sorrio...

os lábios balbuciam
pequeninas letras
em busca de novos pensamentos,
o olhar escorrega
deixando transparecer
esta saudade de ti,
num gostar de mansinho,

gosto quando
te sonho,
gosto quando o sol se põe
e no descanso do dia
repouso o pensamento
sentindo-te presente,

volto a sorrir...

não por te ter aqui,
mas por estares presente
todos os dias dentro de mim
voando além da distância,
onde só o amor
pode alcançar,

voo para além de mim
e...
voando sou livre,
e dentro desta liberdade
busco a paz deste meu mundo
que grita bem viva dentro de mim!

By me ANA BÁRBARA
2012/09/21
(imagem da net)


Daqui até ao teu coração!

quando te quero abraçar
a ilusão atravessa a minha memória,
tudo pára,
a respiração fica ofegante,
o olhar deixa transparecer
todo o amor,
uma vontade sem fim
fica dentro do meu peito,
quando te invento
perto de mim,
quero te abraçar,
sentir,
quero que faças parte
de mim
nesta noite de solidão,
quero...
que sintas o bater
do meu coração!

Sou exagerada,
talvez!
Mas ….
adoro inventar-te,
o corpo estremece
povoando-se de saudade
nas ausências,
deixando
cada dia que passa
mais perto da incoerência,
fujo da verdade
lavando as feridas
em cada anoitecer,

daqui até ao teu coração
num bastar de tempo
sem dicionário
sem qualquer regulamento

apenas eu....a noite...
e...
esta vontade sem fim
de te amar!

By me ANA BÁRBARA
2012/09/21
(imagem retirada da net)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012



RAÍZES

Ás vezes quero esquecer-te,
faço de conta que não me lembro,
falo de mim, para mim,
confesso que me perco
misturando a força da razão
com esta ilusão que me consome,
adensa-se a vontade
de te sentir,
quando o sangue corre quente
nas minhas veias,
não escuto a razão,
o corpo chicoteia o silêncio,
e...sem dar conta
volto a lembrar-me
de ti...
é mais forte do que eu,
é como que se tivesse enraízado
cá dentro,
é uma saudade sem tempo,
sem hora marcada,
sem estrada,
chega,
envolve-me o pensamento
a vontade,
instala-se,
servindo-se do meu corpo,
é doce, tão doce
que me desfolha o olhar....
deixo-me ir...
assim vou envelhecendo
nas esperas...nas noites de luar!
By me ANA BÁRBARA
2012/0917
(imagem da net)